Tantas promessas rolando ralo abaixo! Quando notamos, aquela tampa nunca fechou o buraco. Não era pra ser. Quando a luva não entra mais nos seus dedos, sejam eles quais e quantos forem, quando a meia já está sem par porque o calcanhar furou, gastou ou a máquina comeu. Ou nunca coube, já pensou nisso?
Ficamos forçando um pé num sapato 2 números menor para podermos usar numa noite especial, chique. E com dor, porque a verdade dói. Continuamos costurando meias, achando dedos para as luvas, grampos e cabelos soltos debaixo do colchão, band-aids no calcanhar. Pra quê? Por quê? E, ainda pior, pra quem, ó raios?
Esses novos narcisismos sempre me deprimem, são as mesmas pessoas querendo tanto, tanto e tanto, sempre. Vão até onde? Sem parar para pensar, visto que não sabem nada mesmo, querem tudo a toda hora. Até aquela meia velha, puída, limpa sim, mas velha, ainda é a preferida. Vícios de vida, que ainda teimam em levar para sempre, até que a morte os separe.
E praquelas pessoas que se acham a última cereja do bolo, mas não entendem que uma cereja não faz uma festa, lhes digo: a festa só é festa quando todos estão comemorando, sendo felizes. Todos, sem exceção. A parte de felicidade vem no nosso colo, sem ter que pedir pra deus e o mundo um pouco de atenção. Vista-se de ouro, que se não for sincero, oxida, enferruja e a festa fica vazia, a cereja azeda – se não for cereja de gelatina, também murcha – as bolhas da taça de Sidra acabam, a Coca perde o gás. E seu mundinho de porcaria nenhuma foi na onda da taça de Sidra.
Seu mundo, nesse patamar e com essa plataforma acaba. Sua tampa da panela, seu par da meia, sua luva sem dedos não servem agora nem pra reciclagem. Melhor apagar a luz, se ainda não estiver no escuro, fechar a porta e aguardar a conta de amanhã, porque essa sempre vem. O sonho da Ilha de Caras cai por água abaixo e só sobram as antes socialites, hoje coitadetes.
Não temos mais essas festas cheias de glamour, que sempre foram uma perda de tempo, saberemos disso só depois que a festa acaba e não sai no insta, no face, no X ou no raio que o parta, provando-se que realmente foi tudo um grande fiasco. Sem deslumbre, sem ostento, sem glamour comprado. Vida besta, essa, viu. E não venha com essa onda de sair dançando pelas ruas, faça-me o favor!

Vamos aos fatos, que eu não consigo, e não devo, calar-me diante de impropérios: etimologicamente, Namastê é uma palavra originária do sânscrito, que literalmente significa “curvo-me perante a ti“. É a forma mais digna de cumprimento entre dois seres humanos. Em um sentido mais amplo, Namastê significa “o Deus que habita no meu coração, saúda o Deus que habita no seu coração”. Nem vem tentar habitar o meu coração que ele é totalmente independente e assim vai continuar para todo o sempre. Sou Torella, sou Toom, sou a Paulinha caçulinha e pau pra toda obra.
Na contramão, ouço minha memória musical cantando internamente (não é um caso de esquizofrenia, mas de alma patriótica herdada do meu avô Bido, soldado constitucionalista de 1932), vem o estribilho de “Vaca Profana”, do Caetano: Vaca profana põe teus cornos, pra fora e acima da manada. Sempre a favor do certo e justo, não posso me calar quando uma expressão quase divina e totalmente celestial, espiritual e apartidária, é levada a esse terreno mundano tentando confundir estações. Curvem-se somente aos seres celestiais, que aqui na Terra não sobrou nenhum buraco de minhoca disponível.
Namasteta pra quem se acha e entendeu tudo errado. Como sempre. Se tivesse usado um Salamaleico, o que aconteceria? Percam-se!

