Num momento qualquer

Num momento qualquer

Perdi o senso, perdi a fome, perdi o tempo, perdi a hora. Perdemos tanto pela vida e que, só num rompante de coragem extrema, poderemos ganhar com o que perdemos. Qual é a fase da vida em que mais perdemos? E como podemos reverter o já perdido?

Essas dúvidas vão pairar na minha cabeça para todo o sempre, assim como as moscas varejeiras que, além de não perder nada na vida, só umas safanadas de pano a toda hora, ficam no nosso entorno causando um transtorno para todo o sempre, amém. E a perda de tempo escutando as piores declarações, dos piores falastrões, nas piores épocas?

Assisto impavidamente, baixo a cabeça e sigo em frente? Ou rebelo-me, denigro a imagem pintada em guache de mercado daqueles que sempre se pintaram de ouro, mas que nunca foram nada mais que um papel de padaria amarelado pelo mau uso? Pois eu, num momento de fúria Torellana poderia sair daqui e ir até a casa dele dar-lhes uns tabefes nas suas mil caras.

Prefiro escrever, assim dá para saber quem é que entende o que deveria dizer. Se não entendeu, o pau comeu.

E, levando a vida mais leve, e sem perder tanto o tempo de vida, caio na notícia de que o Bobi, o cachorro mais vivido do mundo, cansou dessa vida boa e foi lá pro andar de cima rever os amigos, jogar conversa fora e todas aquelas coisas gostosas e celestiais que todos os animaizinhos merecem. Com tempo de sobra, o Bobi vai ficar agora contando todos os causos da vida longa dele.

Espero muito que meus animais que se foram já se integre na fila dele pra um papo reto, com biscoitinhos de chocolate (lá pode!), falar mal das políticas públicas e todas aquelas coisas de ninguém pode saber aqui embaixo.

Estamos estressados. Vivemos estressados, angustiados, sem tempo, com pressa, acorda, faz café, toma banho, vai trabalhar, pega trânsito, farol fecha, motoboy buzina, caminhão sufoca. De repente, ligo o rádio. Música gostosa, ótima. Pausa pras notícias, que ninguém é de ferro, mas deveríamos ser; a quantidade de idiotices que poluem meu ouvido é a mesma daqueles que amam dizer que está tudo bem. Não está, nunca esteve e vai piorar.

Desculpe vocês, cabeças de vento amassadas pelo travesseiro, em que mundo vivem? Aqui na Terra não jogamos só mais futebol, ainda temos samba e Rock’n Roll. Também temos as Fulanittas de rua, que pulam de galho em galho, querendo saber até onde seu tempo as levará. Enquanto isso, uns dias chove e alaga o mundo, outro faz sol e seca até arder. Mas, estamos bem, relaxa, assim dói menos? Ainda não sei, perdi tanto tempo com essa dúvida que acabei deixando passar mais da metade da minha vida.