Donec eris felix, multos numerabis amicos*

*Enquanto fores feliz, terás muitos amigos

Em 8 d.C., Ovídio (43 a.C. – 17 ou 18 d.C.) foi condenado por Augusto – o princeps, o exibidinho, aquele que sempre quer ser o primeiro na largada – ao exílio, por isso, ele compôs elegias (parte integrante do gênero lírico, é um tipo de poesia que ficou caracterizada por seu conteúdo temático e não por sua forma) que são, segundo o poeta, similares à sua situação. E que situação!

Levando em conta a existência marcante da matéria erótica em Ovídio, vamos pular essa parte para que não desviemos do assunto amigos. Essas outras ideias depravadas podem ser encontradas em outras elegias que compõem os cinco livros dos Tristes. Haja tristeza. Augusto não gostava dessas coisas. Acho.

Augusto – Wikipédia, a enciclopédia livre
Só a saidêra, vai, Augusto!

Ovídio foi um poeta rebelde, educado pelo irmão, até que a morte o levou, o que impulsionou nosso Ovidinho a uma certa, digamos, impaciência com a sua nada mole vida. Então se libertou das amarras e pôde viver sua vida, lindo leve e solto.

Lindo, leve e solto? Ora, se ele se casou por três vezes, precisava de muitos amigos ao redor. Ninguém pensou num bar ao lado de casa. Mais fácil, mais divertido, mais amigos. Sem drama. Pô, Augusto, por que tanto rancor? Deixa o menino sambar em paz!

Sou feliz. Tenho muitos amigos. Sou feliz? Tenho muitos amigos? Sou feliz porque tenho muitos amigos ou tenho muitos amigos por isso sou feliz? Seja feliz com muitos amigos. Tenha dois amigos e leve três. Ganhou novos amigos? Seja feliz.

Verba volant, scripta manent – As palavras voam, os escritos permanecem

Si vis pacem, para bellum – Se quer a paz, prepare-se a guerra

Amicus certus in re incerta cernitur – O amigo certo se manifesta na ocasião incerta

Pra finalizar a minha eloquência do latim, ab amicis honesta petamus – Só devemos pedir aos amigos coisas honestas