“Indignação – substantivo feminino 1. sentimento de cólera ou de desprezo experimentado diante de indignidade, injustiça, afronta; repulsa, revolta.2. ira intensa; ódio, raiva.
A indignação surge como uma reação espontânea a presença de um ato de injustiça, ofensa ou revolta, praticado diretamente contra uma pessoa ou sentida por empatia a alguém que sofreu um tratamento considerado incorreto. A indignação é um sentimento moral que está completamente ligada à vergonha.”
Quantas vezes pela sua vida você ficou ou se sentiu indignado e se deu conta disso? E fez alguma coisa para se “desindignizar” a vida? Neologismos à parte, como vai a sua vida, digna ou indigna? Pergunto isso todos nós, Noés que somos – ou deveríamos ser -, estamos levando a vida e empurrando o barco com a barriga ralo abaixo.
Onde estão os bons-dias, os desculpes, os por favores, os obrigados? Pelo jeito, todos migraram para os bem-feitos, azares os seus, os vão se catar, os perdeu manés, tendo aqui a dignidade de não mandar ninguém pra lugar nenhum. Ainda.
Ultimamente as coisas estão se estragando muito rápido para que as novidades apareçam para que alguém tenha tempo de esconder as indignações debaixo da mesa sem que sintam falta. Falta decoro, falta educação, falta respeito, falta dinheiro, falta saúde, falta vergonha na cara. Sobram: respostas rasas, comentários imbecis, “narrativas” idiotas disso e/ou daquilo, notícias ocas de conteúdo e vidas vazias. E aí vem o ódio, a raiva e a vontade de pichar o muro da vizinha, bater na mulher, nos bichos, hackear contas alheias ou de quebrar uns vidros por aí. Ou, na pior cena, roubar, matar, sequestrar.
Enquanto isso, na Sala da (In)Justiça, os bananões estão fazendo aquilo a que foram designados: baixar a cabeça e contar as moedas que caíram dos bolsos furados de tanta lambança. Isso depois de desdizerem o que disseram antes.
Por que raios somos Noés? Porque a nossa Arca, sempre tão cheia e agora quase furada, está esperando o tão comentado pelas redes: que o mundo vai acabar. Salvem seus arquivos, seus bichos, sua família. Vamos zarpar pelas marés até que a chuva lave a sujeira toda.
E que, assim, possamos voltar a ser dignos.