Muito tem-se falado a respeito dos macacos. Em inúmeras vezes esses menininhos e menininhas são maltratados, ofendidos, criticados pela sua conduta, que não tem nada de má, afinal, são animais, oras. Querem humanizá-los para que sejam subjugados por aqueles seres que se dizem humanos.
A par disso, temos que encarar brigas estratosféricas daqueles que xingam nossos amigos símios que, numa infeliz escala, são os que estão mais próximos da gente. Evolutivamente, porque se formos comparar as atitudes deles em relação a nós, estão muito mais evoluídos em todos os aspectos.
Menos na fala, mas do jeito que as coisas andam, logo mais eles se comunicarão muito melhor. Quem sabe até paremos de xingá-los como se fossem monstros e possamos assistir a um jogo de futebol sem ter que assistir àquela selvageria sem nenhum controle, daqueles que se dizem torcedores, atletas ou mesmo fãs do esporte, mas que não passam de amebas, que por sinal não fazem mal a quase ninguém, desde que não bebamos aquela água de esgoto ou comamos restos velhos de comida.
Nesse caso, a amebíase tem motivo e devemos tratar dessa doença para que ela não afete seu caráter ou discernimento, para assim escolhermos certo entre o homem ou o macaco, leão ou anta, baleia ou sardinha, polvo ou ostra.
Poderíamos criar uma nova Teoria da Evolução, partindo dos macacos de hoje, com essa carinha linda, com esse olhar brilhante e vívido, até a involução do ser humano, aqueles que assistem aos jogos de futebol nos estádios, já querendo tacar bola de fogo nos ônibus, bater nos jogadores, xingá-los e desmerecer toda a sua trajetória. E por aí iremos seguindo. Em pé, ainda?
Um momento de cultura, dessa vez nada inútil, nos diz que a linhagem dos primatas surgiu há cerca de 65 milhões de anos, apesar do mais antigo fóssil de primata ser o Plesiadapis (datado entre há 55 a 58 milhões de anos) do final do Paleoceno. Estudos com relógio molecular estimam a origem dos primatas para cerca de há 85 milhões de anos, no Cretáceo Médio.
O nome primata é usado para agrupar animais tão diversos quanto chimpanzés, gorilas e nós, o Homo sapiens. A mulher sapiens veio, essa sim, de uma outra linhagem, provavelmente a da ameba já citada. A principal característica que difere o homem, não só dos primatas, mas de todos os outros animais, é a sua famosa racionalidade. A mulher sapiens não entrou nessa roda dos primatas porque perdeu a hora.

Dizer, por exemplo, que temos que aceitar o que não é normal, dizer que não podemos postar, não podemos falar, não podemos fazer piadas de nada, ficar num limbo de ideias que não podem ser extravasadas. No entanto, podemos chutar a cara dos seus semelhantes, mesmo que sejam de outra tribo, outra raça, outra espécie? Quem nos socorrerá, acudirá ou até nos julgará, se nem o Chapolin Colorado está mais entre nós? Tenho medo de saber essa reposta.
Farei como os Três Macacos Sábios: não vejo, não ouço, não falo. Sapientíssimos, como sempre.