Quando o futuro não nos reserva nada, além do óbvio

Sempre assim. Quando não é a Mãe Dinah, o polvo Paul, junto com Siris e Alexas que sempre se adiantam com as previsões óbvias, decidindo e se metendo ter seca, vai chover em excesso, alagando cidades e deixando o povo na rua, desmoronando as casas, nada óbvias por estarem em lugar errado, por causa de um governo que obviamente não se coçou quando foi pedido e ninguém foi alertado. Ah, vá!

Pois eis que surge, na maré das obviedades, centenas, quiçá milhares, de pessoas já amarguradas, desempregadas, desamadas, sem ter o que fazer a não ser ter pena de si e “oh!” recebem santidades com previsões de catástrofes mundiais e pessoais, como o calor que gera incêndios que ninguém sabe, uma morte de um Papa pra lá de caquético, um acidente de avião, barco ou patinete, doenças novas, guerras, dor de corno, fome, solidão.

Minhas amadas filhas previsoras, espirituais, iogues, catalépticas, médiuns: podem fazer o favor de parar de tratar todos como se fossem suas claques? A gente tenta ser educada, até olha um pouco das previsões superimportantes mas, fala sério, quem prevê algo não preveria só um joguinho na mega sena por semana pra si, só pra tirar o azar? Essas pseudovidentes de araque… Queria só ver uma que não previsse o de sempre.

A constelação delas andou fazendo looping em cima da mesa de café da casa delas e de lá não sairá, a não ser que apareça um emprego novo, um novo amor, uma nova casa com uma nova vida. E sem ter se dado conta do tanto de desgraça que ela jogou para o mundo etéreo, estéreo e histérico, deixou uma porta aberta para que o mal, o demo, ou as ondas de negatividade que surgiram em ondas, como um tsunami que ela nunca previu.

“Sabe, minha vida foi de sucesso, empregos ótimos, amores bem resolvidos, contas pagas, família de ponta. E foi isso mesmo, uma ponta do iceberg que um dia lascou e tudo desabou. Perdi meu emprego depois de uma crise de burnout, meu amor se dissolveu como açúcar na água quente, minha família não era assiiiim uma Brastemp, e me largou à míngua. O que fazer? O que e para onde correr? Assim, tive que me reinventar [é o que elas sempre dizem] e fazer da minha vida sofrida uma fonte de renda. Decidi, depois de inúmeros cursos de autoajuda, alguma psicanálise e muita, muita conversa com os espíritos, fazer da minha vida um elo de ligação entre a vida e a morte. Decidi criar meu próprio grupo, com todas as minhas experiências de quase morte, para que amplie a minha voz pelo mundo. Então corra, assine meu canal, ative o sininho e venha que eu te mando como reger sua vida, sem cobranças mensais, é só fazer um PIX que eu começo a nossa jornada rumo ao seu sucesso!”

Inúmeros pleonasmos nos dão a brecha de quanto essas “profetas” podem nos confundir. Nostradamus, veja só, já tentou fazer isso e vimos no que deu. Já vi essa história em outros canais, pagos, abertos, com concessão para poder entrar nas nossas cabeças ainda ocas. Deu nó? Um decápode de nove tentáculos extraordinários já está de boca aberta, sabe, só “no aguardo”.