Às vezes me pego pensando em coisas variadas, achando que nem meus gatos e cachorros darão a menor bola. E então saem as piores palavras do dia. E foi aí que lasquei minha unha, achando que tinha dado um passe em falso.
Entre tantas coisas vindouras, notei uma tartaruga acelerada, a dois passos por hora, em busca de um sorvete oferecido a ela no ano passado lá em Brasília. Mal vejo a hora dela esticar sua língua melequenta em volta daquela casquinha que um dia foi crocante. Murcha estará, mas igualmente deliciosa naquele suco de sorvete e ela dirá em alto e bom som: que delícia!

Viajei, mas quis voltar, sem saber onde estava, imaginando um lugar em que tudo seria calmo, sem guerras e/ou desavenças de qualquer tipo de cor, partido, raça, gênero ou o raio que o parta. O que aconteceu por aqui nesses últimos anos, nem de longe me levou a um estado de calmaria ou paz. Ninguém veio me perguntar o que eu achava, tampouco o que e onde discordava.
Passei pela porta de casa com um ar de soberba ao notar que um golpe de sorte caíra (pretérito mais-que-perfeito) em cima de uma mesa de comida gelada. Estava bem calor naquele dia. Comi, mas não mastiguei. Fumei, mas não traguei. Se bebi, foi só uma taça. Pensei, mas não falei. Escutei, mas não aprendi. Votei, mas não concordei. Chorei, mas nem doeu. Vivi, mas não curti com o final.
Não me acho dona da verdade, longe de mim ter essa responsabilidade, tenho as minhas convicções e delas, e por elas, luto desde sempre. Talvez essa coluna de hoje não esteja adequada à pauta, mas preciso desabafar minhas ideias que fiquem aqui dentro, me corroendo e querendo fugir numa estrada sem fim. E deslizo nesse gel de palavras. Saiu essa porcaria, espero que alguém leia.
Hoje, 31 de janeiro, é Dia do Mágico e do Engenheiro Ambiental. Vamos esconder alguns coelhos dentro de cartolas ou esconder documentos que jamais serão encontrados, junto com as cuecas cheias de dólares e diamantes? É também o dia do primeiro fim de mês do ano, e só por causa disso já devemos comemorar. Um a menos.
E, em alto e bom som e cheio de sotaques, escutar a confissão: roubei, mas não sou ladrão. Nem eu.